Que se inicie esta viagem fantástica sobre os processos de ensino aprendizagem musicais, sobre os educadores, pesquisadores, compositores, músicos, que dedicaram grande parte de suas vidas para que o caminho até este mundo maravilhoso da música seja um passeio repleto de descobertas, surpresas, dedicação, disciplina, mas muito prazer, de ouvir, apreciar, se sensibilizar, experimentar, produzir e viver a música.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Vídeo Cibercultura

video
Trabalho da disciplina de Letramento Digital.
Na temática Cibercultura nada melhor do que retratar as possibilidades deste universo das redes sociais.
Este vídeo foi elaborado a partir da contribuição de links no período de uma hora no facebook...
Vlw Galera
Abraços

Link: http://www.youtube.com/watch?v=2a3b1LJD_eU&feature=g-upl

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Educador Musical no Brasil

O Educador Musical no Brasil
A educação como um todo está em processo de transformação, não só pelo desenvolvimento tecnológico, mas por todas as mudanças no próprio cotidiano das pessoas. A escola e os professores precisam encontrar alternativas para que o aluno continue motivado a aprender. Os métodos tradicionais, onde o aluno é um sujeito passivo, não funcionam mais. O conhecimento não é mais o objetivo, pois as informações podem ser conseguidas em rápidas pesquisas na internet. O ensino deverá ter como finalidade construir o pensamento científico, levando o aluno a tornar-se um pesquisador, e, desta forma contribuir, participar, ser ativo na construção desta nova sociedade, o indivíduo transforma-se em cidadão.
A educação musical, portanto, está inserida neste processo de transformação. Para discutir a educação musical de base deve-se atentar para a formação dos professores. Apesar de existirem a alguns anos, os cursos de Licenciatura em Música, estes, não possuíam, necessariamente, professores envolvidos com a música para lecionar nas aulas específicas da educação. Além disso, muitos dos que buscam a formação Musical, possuem como último objetivo lecionar, na verdade a grande maioria continua a buscar seu virtuosismo musical. Isto resulta em profissionais não capacitados para o processo de ensino aprendizado, despreparados para o ambiente da sala de aula, e, totalmente a parte do universo de seu aluno. Isto é um fator de extrema importância a ser analisado, pois: 

É muito mais importante quem ensina música num pequeno povoado do que quem é o diretor da Companhia Nacional de Ópera...Pois um diretor medíocre falha uma vez, mas um educador medíocre continua a falhar por trinta anos, matando o amor à música em trinta gerações de crianças... 
Zoltán Kodály
(BÓNIS 1964, apud GUEST, [2009], p.7).

O educador musical Zoltán Kodály, é um grande exemplo de busca para educação de massas, não para privilegiados, ou em busca de virtuosismo, oposto ao conceito tão difundido no Brasil, de localizar talentos para criar bons músicos, a musicalização pelo método Kodály é dirigida ao cidadão: o músico será a conseqüência, mero sub-produto, do cidadão musicalizado. Todo cidadão tem direito a fazer e entender música. (GUEST, 2009). Desta forma, Kodály, conseguiu implementar a música no currículo escolar (da educação infantil ao ensino médio) em seu país, a Hungria, onde toda a população alfabetizada musicalmente.
O mais próximo que o Brasil conseguiu chegar desta realidade foi quando Heitor Villa-Lobos, através do canto orfeônico, adentra os muros escolares, e, assim como Kodály, trabalha um repertório folclórico baseado em pesquisas pelo país. Talvez suas motivações tenham sido as mesmas, ambos são contemporâneos a uma época em que, após uma grande guerra, todos os conceitos são modificados, pois a realidade como se entendia se transforma em pó.
Os objetivos deste novo pensar educacional musical não é fracionado, os diversos educadores deste período visualizam o ser humano de forma integral, não só no seu aspecto artístico, mas em como se processa este conhecimento, como se opera o desenvolvimento cognitivo, porém não descartam a sensibilização, a vivência musical, tendo um grande foco no estímulo à criatividade e imaginação. Os “métodos ativos” são então desenvolvidos, em oposição ao tradicional ensino de teoria, muitas vezes sem que a própria música faça parte. Os principais pensadores deste novo modelo da educação musical são Dalcroze, Carl Orff, Willems, Suzuki e Kodály.
Influenciado por todas estas novas perspectivas surge na realidade brasileira, o músico e compositor alemão, Hans Joaquim Koellreutter, que abraça esta realidade e dedica sua pesquisa a ela. Sua abordagem é não possuir um método, pois o professor deve pensar a educação como: “Aprendendo a apreender do aluno o que ensinar”.  (BRITO, 2001, p. 24).

Acontece que os nossos estabelecimentos de ensino musical ainda se orientam pelas normas e pelos critérios em que estavam baseados os programas e currículos dos conservatórios europeus do século passado, revelando-se instituições alheias a realidade social brasileira, na segunda metade do século XX, e servindo, dessa maneira, a interesses que não podem ser os de interesses culturais do nosso país. (BRITO, 2001, p. 39).

Toda esta questão é bem atual, principalmente neste momento, onde no Brasil entra em vigor a Lei que torna o ensino musical obrigatório. Mas não se podem manter os processos arcaicos, tradicionais, herdados dos conservatórios europeus, onde o aluno é tratado como um armazenador de conhecimentos e uma máquina de execução, como se tocar um instrumento fosse somente digitação. Desta forma, cabe aos futuros profissionais da educação musical esta reflexão e atenção às metodologias que irá empregar, aproveitando-se de um momento especial, onde a tecnologia tanto tem a oferecer e contribuir para este processo de ensino aprendizagem.

Referências

BRITO, T. A. (2001). Koellreutter O Educador. O Humano como objeto de estudo. São Paulo: Fundação Peirópolis Ltda.
CASTRO, P. Y. (2011). 50 Jogos e Dinâmicas para o ensino musical. Holambra: Setembro.
CONTIER, A. D. (1998). Passarinhada do Brasil: Canto Orfeônico, Educação e Getulismo. São Paulo: EDUSC.
FONTERRADA, Marisa Trench de Oliveira, Jéssica Mami MAKINO, e Leila Gonçalves VERTAMATTI. “Retrato de um sonho - o perfil do candidato dos cursos de música da Escola Técnica de Artes do Centro Paula Souza.” Revista ABEM, set de 2009: 67-76.
GAINZA, V. H. (1982). Estudos de Psicopedagogia Musical. São Paulo: Sammus Editorial.
GUEST, Ian. Musicalização pelo Método Kodály. São Bernardo do Campo: Apostila não publicada. Impressa por ONG Brasilian Heart, 2009.
LISBOA, A. C. (2005. (Monografia)). Villa-Lobos e o canto Orfeônico. São Paulo: UNESP.
TEIXEIRA, T. D. (2009). O Canto na Abordagem Educacional de Zoltán Kodály. São Paulo: Faculdade Santa Marcelina.


Apresentação

O presente Blog é fruto de um trabalho para o curso de Educação Musical da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O objetivo é a publicação de materiais produzidos durante o curso, mas também nossas reflexões sobre este processo que está se iniciando. A minha intenção é de atualizá-lo com o máximo de frequência que conseguir, para, não só dividir esta incrível experiência, mas registrar um momento tão importante da minha vida.
Que se inicie esta viagem fantástica sobre os processos de ensino aprendizagem musicais, sobre os educadores, pesquisadores, compositores, músicos, que dedicaram grande parte de suas vidas para que o caminho até este mundo maravilhoso da música seja um passeio repleto de descobertas, surpresas, dedicação, disciplina, mas muito prazer, de ouvir, apreciar, se sensibilizar, experimentar, produzir e viver a música.

“A criança não deve armazenar conceitos e definições, mas tesouros musicais. A prestação de tributos e sistematização podem vir mais tarde.” Zoltán Kodály. (GUEST, [2009], p.4)